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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Vida: qual a que queremos?*

Atualmente, para a grande maioria do ser humano, a vida se transformou num passeio ao Shopping. Lá se encontram boa parte dos valores reais e importantes que a nossa poderosa e escravizada mente consegue perceber e valorizar. Somadas ao point’s da vida noturna, da exposição glamourosa de atributos físicos, materiais ou de alguma forma de poder, visíveis, palpáveis ou ilusórios, nossa gama de valores aceitos e desejados pela nossa capacidade mental estará, se não completa, contemplada.

Entre uma caminhada e outra, entre um gasto e outro, muitos dos nossos desejos são atendidos. Parecemos até felizes. Sorrimos, gargalhamos quando nossos instintos são satisfeitos. Reclamamos, ficamos entristecidos até a decepção quando não o são. Depois de idas e vindas, sonhos de consumo satisfeitos ou transferidos, horas daquela vida que consideramos real estão preenchidos. Na verdade, um enorme e muitas vezes incompreensível vazio continua a habitar a nossa mente e a nossa alma. Vazio que irá perturbar o dia a dia da nossa existência.

Alguns, que com o tempo começam a perceber a existência deste vazio e a questionar os valores vividos neste passeio que se transformou a nossa vida, despertam e, a exemplo da Fábula da Caverna de Platão, procuram chamar a atenção dos demais para estes novos valores e para uma nova e mais prazerosa realidade.

Qual a nossa reação? Via de regra preferimos permanecer de costas para a caverna, acomodados e escravizados sem querer nem saber da possibilidade de viver outra vida se não a vida que vivemos. Alguns assim agem para não perder o poder que alcançaram naquela vida. Se tiverem que deixar de viver a vida selvagem que vivem, correm o risco de perderem o status que nela conquistaram. Mesmo que tenha sido através do sofrimento e do sangue dos seus irmãos. O que eles não percebem, é que o prazer que ela lhes dá, é um falso prazer. O que impera neste tipo de vida é o medo, o terror, a morte. É a histeria no lugar da alegria. É o prazer fugaz no lugar de um prazer baseado num profundo amor.

Quem deseja permanecer nesta caótica e infernal forma de vida, quem tem medo de mudar por achar ser ela a única e real vida que podemos ter, leva a vantagem, se assim podemos dizer, de vivê-la de forma conformada e intensa.

Quem, ao contrário, prefere acreditar na nossa capacidade de mudar as coisas, de evoluir mentalmente e em direção a uma vida melhor, leva a vantagem de viver num mundo de esperança, de sonhos e de escolhas entre uma vida medrosa e insegura e uma vida baseada no amor.

*(Texto inspirado, entre outras leituras, nas declarações de Bin Hicks apresentadas no final do filme ZeitGeist – Espírito do Tempo).

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